Os dias de sol foram feitos para serem lembrados

7/15/20262 min ler

Enquanto estávamos crescendo, não sabíamos exatamente o que iria acontecer.

A vida acaba sendo assim.

Fazemos planos.

Estipulamos prazos.

Traçamos metas.

Como um velejador em alto-mar, contamos com a direção dos ventos. Torcemos para que o céu permaneça azul, que o mar esteja calmo e que o nosso barquinho seja forte o suficiente para tudo o que vem pela frente.

Porque, convenhamos…

quando o dia está ensolarado, é mais fácil acreditar que damos conta de tudo.

Existe até um ditado que diz que o telhado se conserta em dia de sol.

Afinal, o dia de chuva… esse sempre chega.

Hoje, por exemplo, o dia está exatamente assim como eu gosto.

Ensolarado.

Com aquela brisa que bagunça o cabelo, refresca o rosto e, por algum motivo, faz a vida parecer um pouco mais leve.

E, curiosamente, dias assim sempre me fazem lembrar dos dias de tempestade.

Será que acontece com você também?

Imagino um velejador atravessando um mar revolto.

Talvez o maior desafio não seja apenas manter o barco inteiro.

Seja manter a mente firme.

Acreditar que existe um outro lado da tempestade.

Resistir ao impulso de desistir quando tudo parece fora do lugar.

Se você já atravessou uma estação difícil, talvez saiba exatamente dessa sensação.

Porque a vida pode mudar em questão de segundos.

E, muitas vezes, ela desafia menos os nossos planos do que a forma como enxergamos a nós mesmos.

Foi justamente isso que eu quis contar em Verdades sobre o Meu Jardim.

A besoura da história não mudou apenas o Jardim.

Ela tentou mudar a forma como as flores enxergavam a si mesmas.

Porque as maiores tempestades nem sempre acontecem do lado de fora.

Algumas acontecem dentro da nossa mente.

E, quando acreditamos nas mentiras que elas contam, começamos a esquecer quem realmente somos.

Talvez seja por isso que gosto tanto dos dias ensolarados.

Eles não existem apenas para serem aproveitados.

Existem também para serem lembrados.

Que você guarde um pouco da luz dos dias como este.

Guarde a sensação de paz.

Guarde a lembrança de que existe beleza.

Guarde a certeza de que você já atravessou outras tempestades antes.

Porque a memória também fortalece a coragem.

E, principalmente…

que você se lembre da pessoa incrível que você é, e da pessoa que está se tornando.

Não porque a vida esteja perfeita.

Mas porque sua identidade nunca dependeu do clima.

Quando a próxima chuva chegar, porque ela chega para todos nós, talvez ela balance o seu barco.

Talvez mude alguns planos.

Talvez obrigue você a navegar diferente do que imaginava.

Mas ela não precisa levar embora a verdade sobre quem você é.

E quanto à besoura…

que ela fique para trás, perdida no mar que um dia pareceu tão assustador.

Porque, no fim das contas…

tempestades passam.

A verdade permanece.

E o Jardim sempre encontra uma forma de florescer.

Texto: Priscila Sotana

Livros infantis ilustrados com beleza artística, mensagem e permanência.

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