Mais uma volta ao sol

4/16/20263 min ler

Já faz uma semana que completei mais um aniversário.

Talvez você também faça isso quando uma nova idade chega.

Sem perceber, começa a fazer um pequeno balanço da vida.

Do que aconteceu.

Do que ainda não aconteceu.

E, principalmente, daquilo que imaginava que já teria acontecido.

No espelho, nada mudou esteticamente (por enquanto, rs).

Não fiz um novo corte de cabelo como planejei. Uma franja me pareceu muito esforço para alguém que anda buscando praticidade nesta fase.

Não moro na praia.

Não escrevi livros famosos (ainda!).

Minha cozinha ainda não dá de frente para um jardim.

Na verdade, tenho uma bela selva de pedra através da janela.

E, curiosamente...

isso já não pesa como um dia pesou.

Aos poucos, deixaram de ser o lugar onde eu procurava a minha alegria.

Talvez você também carregue uma lista parecida.

Não exatamente igual.

Mas uma lista de "ainda nãos".

Sonhos adiados.

Planos que mudaram de endereço.

Caminhos que nunca aconteceram.

Acho que todo mundo chega em algum momento da vida com uma lista dessas no bolso.

E talvez amadurecer não seja riscar todos os itens.

Talvez seja aprender que a vida continua florescendo enquanto alguns deles permanecem escritos.

Ali, dentro do peito, existe um jardim.

O meu. O seu.

E talvez eles sejam mais parecidos do que imaginamos.

Também plantei flores na hora errada.

Talvez você também.

Algumas não floresceram.

Outras insistiram em permanecer, mesmo quando tudo indicava que não conseguiriam.

E houve flores que me ensinaram algo que eu nunca conseguiria aprender em um livro.

Esperar.

Não porque eu tenha ficado boa nisso.

Quem me conhece sabe que continuo querendo apressar algumas estações...rs

Mas o Jardim nunca pareceu muito interessado na minha ansiedade.

Ele continua obedecendo ao tempo dele.

Talvez seja por isso que gosto tanto de observá-lo.

Ele me lembra, repetidas vezes, que existe uma diferença entre viver e correr.

Confesso que aprendi mais observando do que falando.

As flores falam muito baixo.

Ou talvez sussurrem muito baixo.

Durante muito tempo, achei que elas estivessem em silêncio.

Hoje penso que elas sempre estiveram falando.

Eu é que ainda estava ocupada demais para escutar.

As estações me ensinaram algo que continuo tentando aprender:

há tempo para todas as coisas.

Tempo de plantar.

Tempo de regar.

Tempo de podar.

Tempo de colher.

Tempo de esperar.

E talvez a parte mais difícil não seja entender isso.

Seja confiar.

Confiar que o tempo não está contra nós.

Confiar que nem toda demora é abandono.

Confiar que algumas sementes trabalham em silêncio muito antes de aparecerem na superfície.

Há tempo de nascer.

Há tempo de morrer.

E, curiosamente, sempre existe tempo para celebrar.

Celebrar o que floresceu.

Celebrar o que não floresceu.

Celebrar aquilo que precisou partir para abrir espaço para algo novo.

Porque nem tudo o que imaginei floresceu.

Mas o Jardim floresceu mesmo assim.

Acho que a plenitude é uma flor curiosa.

Ela quase nunca nasce quando a vida finalmente fica igual à que imaginamos.

Ela aparece quando percebemos que o Jardim já estava vivo enquanto esperávamos a próxima estação.

Talvez você também esteja entrando em uma nova estação.

Com sonhos que ainda não aconteceram.

Com perguntas que ainda não encontraram resposta.

Com sementes que parecem silenciosas demais.

Se for esse o caso...

espero que você PERMANEÇA.

Nem tudo o que ainda não floresceu está perdido.

Algumas coisas apenas estão aprendendo o tempo certo de nascer.

Quanto a mim... seja bem-vinda, nova volta ao sol!

Há flores que ainda não conheço.

Há sementes que ainda não vi brotar.

Há caminhos que ainda não percorri.

Mas o Jardim já me ensinou o suficiente para confiar:

cada estação chega exatamente quando precisa chegar.

E cada uma delas traz consigo uma beleza que só pode ser vista por quem decidiu permanecer.

Texto: Priscila Sotana

Livros infantis ilustrados com beleza artística, mensagem e permanência.

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