Deixei o celular no Taxi
E o controle também...
4/2/20262 min ler


Era para ser apenas mais uma viagem internacional de trabalho.
Até que…meu celular decidiu ficar no táxi.
No Brasil.
Claro, ele “pulou” do meu bolso.
Porque eu jamais deixaria ele lá :)
Talvez você nunca tenha esquecido o celular em um táxi.
Mas…
já teve a sensação de que perdeu o controle de alguma área da sua vida?
Aquele momento em que você pensa:
“Se eu não fizer… não vai acontecer.”
Porque, vamos ser sinceros…
todos nós temos esses dias.
E então, algumas horas depois…
eu fechei a porta do táxi.
O táxi foi embora.
E o meu “controle”… foi junto.
E me restaram duas opções bem claras:
ou corria atrás do celular
ou embarcava no voo.
Escolhi embarcar.
Porque perder o celular já era um problema.
Perder a viagem seria… uma experiência ainda mais completa rs.
E foi assim que começou uma semana…
sem controle.
Sem contatos.
Sem agenda.
Sem WhatsApp.
Sem aquela sensação confortável de:
“está tudo sob controle.”
E então tive que fazer algo que, talvez, você também não goste muito:
confiar.
Confiar que outras pessoas dariam conta.
Confiar que as coisas continuariam acontecendo.
Confiar que… eu não era a única peça essencial naquele sistema.
Difícil, né?
E talvez a pergunta não seja se conseguimos confiar.
Mas…
o quanto a gente tenta controlar para não precisar confiar.
Foi curioso perceber o quanto minha vida cabe dentro de um celular.
Ele é:
agenda,
câmera,
banco,
mapa,
memória,
e, às vezes… controle remoto da vida!
E, de repente…
silêncio.
Algumas coisas ficaram em stand by.
Outras simplesmente deixaram de ser urgentes.
E ficou um espaço.
No começo… vazio.
Depois… presença.
Percebi o livro que estava atrasado.
Percebi o tempo passando sem pressa.
Percebi pensamentos que eu não escutava há dias.
Talvez você já tenha sentido isso também…
quando o barulho diminui
e algo mais verdadeiro começa a aparecer.
Aquele controle barulhento, aquele que fala o tempo todo
foi dando lugar a uma consciência mais silenciosa.
Quase… contemplativa.
E isso me fez pensar no Jardim.
Já reparou como, no Jardim, o tempo corre diferente?
Não existe notificação.
Não existe atualização constante.
Não existe a sensação de estar sempre atrasado.
E, ainda assim…tudo cresce.
Talvez porque o crescimento real
não acontece no barulho.
Acontece na presença.
E talvez seja por isso que, no meio do ruído do dia a dia,
a gente acaba confundindo quem somos
com tudo o que fazemos.
Mas quando o barulho diminui…
algo mais verdadeiro aparece.
Você não é sua agenda.
Não é sua produtividade.
Não é o quanto você resolve.
Você é mais do que isso.
Muito mais.
Perder o celular foi desconfortável.
Mas me lembrou de algo essencial:
quando o controle diminui…
a confiança encontra espaço para crescer.
E talvez você não precise perder o celular para viver isso.
Talvez precise apenas soltar um pouco.
Respirar um pouco.
Confiar um pouco mais.
Porque, no final…
você foi maravilhosamente formado.
E isso não depende do quanto você controla,
mas de quem você já é.
Texto: Priscila Sotana