De Ouvir Falar… a Enxergar de Verdade
2/27/20262 min ler


“Antes eu Te conhecia só de ouvir falar… agora meus olhos Te veem.”
Essa frase foi dita por Jó, depois de atravessar perdas, silêncio e perguntas profundas.
Não foi uma frase qualquer.
Foi uma frase de experiência.
Existe uma diferença enorme entre saber sobre Deus
e atravessar uma estação que te obriga a encontrá-Lo.
E talvez seja assim com a gente também.
No começo da vida, quase tudo é emprestado.
Fé emprestada.
Coragem emprestada.
Convicções emprestadas.
Alguém nos diz quem somos.
Alguém nos diz como viver.
Alguém nos diz o que é certo.
E nós repetimos.
Até que a vida acontece.
E quando ela acontece, ouvir já não basta.
A vida nos convida a experimentar.
E é aí que começamos a enxergar.
A beleza de viver por si
Amadurecer é costurar uma colcha própria de experiências.
É formar uma visão de mundo que não é apenas repetida — é vivida.
Mas há uma verdade delicada aqui:
Nem toda experiência nos torna mais dóceis.
Nem toda vivência nos deixa mais leves.
Algumas doem.
Algumas confundem.
Algumas parecem obscurecer, em vez de iluminar.
E é possível que, no meio dessas estações, a gente se pergunte:
“Quem eu estou me tornando?”
Essa é uma pergunta honesta.
E perguntas honestas fazem parte do crescimento.
Quando a experiência desafia a identidade
Existem experiências que fortalecem quem somos.
Outras parecem distorcer nossa imagem.
Há vivências que ampliam nosso coração.
Outras tentam endurecê-lo.
Então surge a pergunta essencial:
Como experimentar o mundo sem perder o brilho nos olhos?
Como atravessar as estações do jardim sem permitir que pragas roubem nossa essência?
A parte que ninguém quer falar
Nem toda experiência te deixa mais forte.
Algumas te deixam confusa.
Nem toda estação te amadurece suavemente.
Algumas te desmontam.
E no meio disso, uma pergunta aparece:
“Quem eu estou me tornando?”
O perigo invisível
O perigo não é sofrer.
O perigo é deixar que a dor reescreva sua identidade.
Porque experiências moldam.
Mas não têm autoridade para definir.
A raiz que não muda
Existe uma verdade anterior a todas as suas estações:
Você foi criado de forma extraordinária e maravilhosa.
(Salmo 139)
Antes dos erros.
Antes das decepções.
Antes das perdas.
Antes das confusões.
Você já era intenção.
E nenhuma experiência tem poder para apagar a sua origem.
O verdadeiro amadurecimento
Amadurecer não é deixar de doer.
É deixar de viver apenas do que ouviu falar
e começar a enxergar por si mesma.
Não um Deus distante.
Mas um Deus encontrado.
Não uma identidade repetida.
Mas uma identidade revelada.
Se você está numa estação confusa…
talvez não seja o fim.
Talvez seja o momento
em que você deixa de ouvir falar
e começa a enxergar.
Experiências passam. Identidade permanece.
Texto: Priscila Sotana