As Raposinhas do Jardim
(E o Poder de Fazer Perguntas)
2/5/20262 min ler


Dizem por aí que a curiosidade matou o gato.
Eu discordo.
Se matou alguém, foi a raposa.
Aquela mesma que entra no jardim de madrugada,
faz bagunça no que você está semeando
e depois sai como se nada tivesse acontecido.
Deixa eu explicar.
Todo jardim, assim como toda vida e todo relacionamento
enfrenta obstáculos naturais para florescer:
dias de chuva demais,
outros de sol em excesso,
vento, frio, calor…
nada fora do esperado.
Mas além disso, existem as raposinhas.
Elas não chegam fazendo barulho.
Chegam em silêncio.
A raposa não destrói tudo de uma vez.
Ela cava por baixo.
Arranca a raiz sem você perceber.
Mexe na terra, bagunça o que estava firme
e deixa o jardim confuso, instável.
Nos relacionamentos, as raposinhas têm outro nome:
suposições, medos e dúvidas não ditas.
Elas aparecem quando alguém age diferente do esperado
e a gente pensa:
“Ela está fazendo isso porque não se importa.”
“Ele sempre age assim.”
“Já sei exatamente o que está acontecendo.”
E pronto.
A raposinha entrou.
Essas dúvidas podem causar tanto estrago
quanto uma semana inteira de tempestade emocional.
Mas existe um antídoto poderoso contra as raposinhas:
Curiosidade.
Curiosidade saudável não é invasão.
É cuidado.
É trocar a acusação pela pergunta.
É substituir a certeza apressada por interesse genuíno.
Perguntar:
“O que está acontecendo com você?”
“Como você se sentiu nessa situação?”
“Tem algo que eu não estou enxergando?”
Às vezes, a pergunta é interna.
Às vezes, é dita em voz alta para quem caminha com a gente.
Em Verdades sobre o Meu Jardim, Hanna faz exatamente isso.
Antes de rotular as flores como preguiçosas ou sensíveis demais,
ela observa.
Investiga.
Pergunta.
Ela decide entender antes de julgar.
E isso muda tudo.
Porque muitas ofensas são ruídos de comunicação.
E muitas preocupações… são projeções nossas.
Curiosidade não enfraquece relacionamentos.
Ela os fortalece.
Então fica a pergunta, essa que vale ouro no Jardim:
Existe alguma situação na sua vida que precisa menos conclusão
e mais uma boa pergunta?
Às vezes, tudo o que o jardim precisa
não é arrancar uma flor,
mas pegar uma lupa e perguntar com carinho:
“O que está realmente acontecendo aqui?”
Moral Botânica:
Curiosidade não destrói jardins.
Suposições sim.
Texto: Priscila Sotana — Incredibubble
Da série “Verdades sobre meu Jardim”